Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Para onde vais?

Ericeira, 2008                                                          Adelina Silva

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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Perigo de Vida!

Berlengas, 2008                                                            Adelina Silva

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in "Mensagem"

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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Acompanhas-me?

Óbidos, 2008                                                                  Adelina Silva

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Domingo, 17 de Agosto de 2008

Fugir do real

Pretextos para fugir do real

 

A uma luz perigosa como água

De sonho e assalto

Subindo ao teu corpo real

Recordo-te

E és a mesma

Ternura quase impossível

De suportar

Por isso fecho os olhos

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da

provocação. É assim que te faço arder triunfalmente

onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

Por isso fecho os olhos

E convido a noite para a minha cama

Convido-a a tornar-se tocante

Familiar concreta

Como um corpo decifrado de mulher

E sob a forma desejada

A noite deita-se comigo

E é a tua ausência

Nua nos meus braços

Alexandre O'Neill

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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Com uma pequena ajuda dos meus amigos


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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

A força do há(l)bito

A força do hálito

(1969)

A força do hálito é como o que tem que ser.

E o que tem que ser tem muita força.


Vai (ou vem) um sujeito, abre a boca e eis que a gente,

que no fundo é sempre a mesma,

desmonta a tenda e vai halitar-se para outro lado,

que no fundo é sempre o mesmo.


Sovacos pompeando vinagres e bafios,

não são nada --bah...-- em comparação

com certos hálitos que até parece que sobem do coração.


       
"Ai onde transpira agora

         o bom sovaco de outrora!"


Virilhas colaborando com parentesis ou cedilhas

são autênticas (e sem hálito) maravirilhas.


Quando muito alguns pingos nos refegos, nas braguilhas,

amoniacal bafor que suporta sem dor

aquele que está ao rés de tal teor.


Mas o mau hálito é pior que a palavra

sobretudo se não for da tua lavra.


Da malvada, da cárie ou, meu deus, do infinito,

o mau hálito é sempre, na narina,

como o baudelaireano, desesperado grito

da "charogne" que apodrecer não queria.


                         
Alexandre O'Neill

[para ti, meu po(b)dre e infeliz António]

Escrito por ams em 20:57:55 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Obrigada!

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill
Escrito por ams em 19:25:35 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Só ou mal acompanhada?


Magaluff, 2008                                                           Adelina Silva

Escrito por ams em 16:07:36 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, 10 de Agosto de 2008

As palavras que sempre te direi

Há palavras que nos beijam   

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)


Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

Escrito por ams em 18:52:42 | Link permanente | Comments (1) |

Sábado, 09 de Agosto de 2008

Solidão



Magaluff, 2008                                Adelina Silva
Escrito por ams em 15:41:02 | Link permanente | Comments (0) |