À distância de 9 dígitos
Nem em férias o telemóvel descansa. Isto é, descansar, descansa, eu é que não lhe dou descanso, ou melhor, não lhe dão descanso. Solução: desligá-lo.
Mas, se o desligo, como contacto com o mundo e como é que o mundo entra em contacto comigo? Eu não sou (nem quero ser) uma “ilha”. E, se o for ou vier a ser, pelo menos que tenha acesso ao mundo exterior e aos outros. A solidão assusta-me.
Observo as praias nortenhas. As pessoas chegam ao areal carregados com os seus apetrechos, sacos e mais sacos… Escolhem um local e pronto… isolam-se, constroem pequenas “ilhas” circulares com os seus pára-ventos, não dão espaço aos outros e, muitas vezes, nem acesso ao mar. E penso: li recentemente que é no Verão, em tempo de férias, sem horários a cumprir, que as pessoas se disponibilizam mais para os contactos informais com os outros. Onde? Quem? Como? Para quê? Porquê?
E, de repente, ouço um ruído… perturbador de uma tarde de sol ameno à beira-mar, com uma leve brisa marinha. E continua… estou a ouvir bem? É isso mesmo, bem ali à minha frente na “ilha” azul… um telemóvel que toca. Incrível… A “ilha” amarela quer saber onde estão e eles ali tão perto. E não é que afinal a comunicação se estabelece entre as “ilhas” azul e amarela, à distância de 2 metros e 9 dígitos?






