Monday, August 27, 2007

À distância de 9 dígitos

 

Nem em férias o telemóvel descansa. Isto é, descansar, descansa, eu é que não lhe dou descanso, ou melhor, não lhe dão descanso. Solução: desligá-lo.

Mas, se o desligo, como contacto com o mundo e como é que o mundo entra em contacto comigo? Eu não sou (nem quero ser) uma “ilha”. E, se o for ou vier a ser, pelo menos que tenha acesso ao mundo exterior e aos outros. A solidão assusta-me.

Observo as praias nortenhas. As pessoas chegam ao areal carregados com os seus apetrechos, sacos e mais sacos… Escolhem um local e pronto… isolam-se, constroem pequenas “ilhas” circulares com os seus pára-ventos, não dão espaço aos outros e, muitas vezes, nem acesso ao mar. E penso: li recentemente que é no Verão, em tempo de férias, sem horários a cumprir, que as pessoas se disponibilizam mais para os contactos informais com os outros. Onde? Quem? Como? Para quê? Porquê?

E, de repente, ouço um ruído… perturbador de uma tarde de sol ameno à beira-mar, com uma leve brisa marinha. E continua… estou a ouvir bem? É isso mesmo, bem ali à minha frente na “ilha” azul… um telemóvel que toca. Incrível… A “ilha” amarela quer saber onde estão e eles ali tão perto. E não é que afinal a comunicação se estabelece entre as “ilhas” azul e amarela, à distância de 2 metros e 9 dígitos?

 

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Wednesday, August 22, 2007

À distância de um clique

 

 

Acabei de chegar do Brasil!

É verdade! Estive lá a convite do GETED, da Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande/MS, para participar numa discussão sobre um texto por mim publicado, a propósito de Aprendizagem Colaborativa e Comunidades de Prática.

O GETED - Grupo de Pesquisa e Estudos em Tecnologia Educacional e Educação à Distância, está inserido no Directório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq, certificado pela Instituição, cuja área predominante é a Educação, com foco no processo de Ensino-Aprendizagem, Tecnologia Educacional e Educação à Distância. O GETED é um grupo de pesquisa que integra professores e alunos do Programa de Pós-Graduação/Mestrado em Educação e das graduações da Universidade Católica Dom Bosco-UCDB, além da Directoria de Educação à Distância e sua equipa multidisciplinar.

À distância de um clique pus-me no Brasil, respondi às questões que me colocaram (também coloquei algumas) e regressei uma hora e meia depois. Preço da viagem: digamos que foi muito baratinha. Não tive que me preocupar com avião, taxas de aeroporto, táxi, alojamento, alimentação, etc. Falei com as pessoas, de carne e osso, não eram avatares. Verdade! Pessoas que se preocupam com as mesmas questões que eu própria. A conversa estava tão interessante que nem dei conta do tempo passar. E quando nos despedimos e alguém referiu : “Valeu pessoal, um grande abraço à Adelina (a propósito, vc está na praia mesmo?” Olhei à minha volta e dei conta que afinal não tinha saído do meu espaço.

É verdade… estou em férias… à beira-mar… Mas, não tinha sonhado… tinha mesmo estado no Brasil, à distância de um clique.

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Monday, August 20, 2007

As aparências iludem

Nem tudo o que parece é. Mais vale parecê-lo que sê-lo… Ou será: mais vale sê-lo que parecê-lo? Não sei qual das duas frases será a correcta. Dependerá do contexto e da situação, com certeza.

Na utilização dos meios de comunicação síncronos electrónicos (mIRC, Messenger, ICQ, Second Life, e outros) os indivíduos à medida que vão interagindo com os outros, no decorrer da conversa, vão-se construindo física, psicológica e intelectualmente, muitas vezes à medida do outro e das suas expectativas. Construção de um outro EU, sempre me colocou algumas questões e, confesso, algumas desconfianças. Como uma mentira tem sempre pernas curtas (diz a sabedoria popular), pergunto-me frequentemente até quando podem as pessoas desempenhar um papel que não é o seu. Vários estudos indicam que o ciberespaço é, por excelência, o local onde os jovens (e os menos jovens) experimentam novas identidades. Pergunta: PARA QUÊ? Partindo do pressuposto que todos (ou a maioria) dos utilizadores dos canais de comunicação do ciberespaço não se assumem totalmente como são na vida real (mentindo ou omitindo), não será uma perda de tempo? Bem… a não ser que o objectivo não seja “conhecer” pessoas, mas sim o jogo da identidade per si. O que me leva a outra questão: e se as pessoas se conhecem na vida real? É que também aqui, nem tudo o que parece é. E também se desempenha, por vezes, um papel que não é o nosso e se joga muito. Mas continuando… como revelar a verdade? “Ah pois, sabes… o que eu disse, afinal, não é bem assim… não era bem isso o que queria dizer… Percebeste mal… Não sei onde foste buscar essa ideia!!!… Eu nunca disse isso.”

Haverá ainda aqueles que inventam uma desculpa (digamos aplicam a imaginação prodigiosa que possuem) para se escudarem na própria teia de enredos que tramaram: “Afinal não vai dar para nos encontrarmos… é que surgiram umas coisas… as coisas complicaram-se… mas, claro, podemos sempre encontrarmos no ciberespaço… aí tenho sempre tempo para ti, como sabes!”

Alguém disse: “Com a verdade me enganas!”

Eu digo: “Com a mentira me desiludes!”

 

 

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Saturday, August 18, 2007

O descanso do(a) guerreiro(a)

 

O período de férias escolares, que está a terminar, permitiu recuperar as energias dispendidas nas longas horas e onze meses de trabalho que antecedem este período. Sim! Que não se pense que os professores, de qualquer grau de ensino, são uns preguiçosos (não trabalham, têm um horário reduzido) e que, ainda por cima, reclamam das condições de trabalho. Uns ingratos! Cospem no prato de quem lhes dá de comer!

Ora… nada de mais errado… Só não vê, quem não quer ver. Quem está sempre do contra, aqueles que têm como lema de vida “Deixem-me falar dos outros antes que falem de mim!”

Mas, voltemos às férias, digamos período de descanso… Que verifico? Dos dias a que tive direito (a totalidade, pois não costumo faltar), realmente metade serão dedicados ao descanso (até porque o corpo e a mente o exigem), mas o restante é dedicado a planear o início do ano lectivo que se avizinha. Mas será possível? Nem em férias, digamos período de descanso, dou umas férias, digamos descanso, à profissão?

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Friday, August 17, 2007

Direcção a seguir: sempre em frente (sem descarrilar)

Há uma semana atrás, recebi diversos comentários ao último post. Fiquei bastante surpreendida! Não pelos comentários em si (bastante positivos e elogiosos, por sinal), mas sim pelo facto de os ter recebido um ano após ter actualizado, pela última vez, o blog. Mais surpreendida fiquei por serem na língua inglesa, pois os textos que editei estão em português. Fez-me reflectir.

Primeiro, as tecnologias digitais permitem aos seus utilizadores um vasto número de ferramentas, entre as quais a tradução on-line, com todas as vantagens daí decorrentes.

Segundo, o ano lectivo de 2006-07 teve de tal modo um ritmo alucinante, que não me permitiu qualquer disponibilidade para ir actualizando o blog com os meus pensamentos sobre o ensino, sobre a aprendizagem, sobre as metodologias tradicionais ou digitais… O ritmo do espaço físico tradicional e a velocidade com que as coisas se foram desenrolando entrou em directa concorrência com o espaço virtual… Imagine-se quem ganhou a competição… É claro que o alucinante desencadear de acontecimentos que tiveram lugar no espaço físico, que me consumiam tempo (e paciência), ainda me deixavam algum tempo para a reflexão nos temas que mais me vão preocupando, mas daí a passá-los para o papel… ou para o digital…

Por isso… tomei uma decisão. A nossa vida é feita de decisões e com elas vamos definindo o nosso percurso e nosso projecto de vida (que está em constante construção e remodelação). À laia de Bridget Jones (e do seu diário), decidi efectuar uma listagem de coisas a fazer (ou não fazer) no novo ano que se aproxima (não o civil, que ainda está longe, mas o lectivo).

Não tenciono deixar de fumar (porque não fumo);

Não tenciono emagrecer (tenho o IMC normal);

Não tenciono deixar de beber bebidas espirituosas (normalmente bebo moderadamente).

O que tenciono fazer, digamos que me obrigo a fazer, a título de compromisso (e para quem me conhece sabe que para mim um compromisso é coisa séria, seja a nível profissional, pessoal, empresarial e outros terminados em __al) é utilizar este espaço como reflexão e partilha das minhas actividades como professora do ensino básico e secundário, enquanto observadora participante do processo de ensino-aprendizagem, que envolve as TIC, registando as angústias, mas também as alegrias, que se conquistam no dia-a-dia de uma escola que se quer viva e em sintonia com a sociedade e com os desafios que são colocados e testados.

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