Thursday, September 27, 2007

I’m THE special one!

Fui dar com a minha filha a ler um diário que mantive durante algum tempo, há uns 20 anos atrás. Já não me lembrava que o caderno existisse, mas como tive a casa em obras, grande parte das tralhas ainda está encaixotada e armazenada. Daí que  dei com ela muito entretida, sentada na relva, junto aos baloiços, a lê-lo.

Fiquei um pouco incomodada, confesso. Fiquei incomodada por me ter incomodado.

Na verdade, quando escrevo neste espaço, normalmente é sobre mim (não gosto de falar e muito menos fazer juízos de valor sobre os outros), exponho-me e isso não me incomoda. Então, porque me senti assim, ao ver a minha filha, partilhar dos meus pensamentos e da minha intimidade? Vai daí, toca de lhe tirar o caderno da mão e de o desfolhar. Tive necessidade de o reler, não na sua totalidade, mas pequenos pedaços. 

Comecei por o observar: é um caderninho, onde fui expondo o meu quotidiano e o daqueles que comigo privavam, das relações mais ou menos profundas, mais ou menos superficiais que mantive, tem esboços e desenhos de lugares por onde passei e que de algum modo me marcaram (nessa altura desenhava muito!).

Ao desfolhar as páginas, um pequeno papel amarelado pelo tempo prendeu a minha atenção. Tinha uma frase que dizia: “Adelina, you’re anything but ordinary. Don’t you ever forget it! Don’t you ever dare change!”  Parei. Peguei no papel. Lembrei-me de toda a história que esteve na base daquele conselho. Como foi possível tê-lo alguma vez esquecido?

YOU’RE ANYTHING BUT ORDINARY.

Esta frase é para todos aqueles que nem sempre estão de bem com a vida. Todos nós somos seres únicos e especiais. E quem não nos faz sentir assim, não vale a pena. É um ser comum! 

 

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Wednesday, September 26, 2007

Elogio ao Amor

 

O “Elogio ao Amor”, de Godard, é, para mim, um filme muito especial.

Godard passeia um olhar perplexo de filósofo sobre o momento actual, ao mesmo tempo melancólico e optimista. Mesmo sem uma narrativa linear (há todo um fluxo entre as imagens que nos deixa assoberbados), Elogio ao Amor aborda quatro temas: o encontro, a plenitude física, a separação e a reconciliação, a partir da vida de seus vários personagens. O passado explica o presente do filme.

“É quando uma história termina, que ela começa a fazer sentido”, diz a certa altura uma personagem do filme. 

Também o nosso passado nos determina como pessoas e faz de nós o que somos. E é por isso que eu hoje me sinto uma gaivota: livre, livre, para poder voar.

 

 

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Tuesday, September 25, 2007

Ai a Paixão!!!

Vi no domingo esta notícia, no Diário de Notícias:

 

 E esta, hein??? É o que o povo diz… o que não tem remédio, remediado está!!

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Monday, September 24, 2007

Um Chá no Deserto

Póvoa de Varzim, 2007
Adelina Silva

É nos momentos em que nos sentimos mais em baixo que reconhecemos os nossos verdadeiros amigos. Por vezes não lhes damos o devido valor, e aqui estou eu para lhes prestar a minha homenagem e o meu agradecimento.

No sábado, lá estava eu “numa de solidão”, coisa que não combina de todo com a minha maneira de ser. Já todos começavam a estranhar este meu silêncio. Sem eu saber, o meu marido e amigos planearam algo para me “levantar o astral”.

Organizaram um jantar num dos meus restaurantes favoritos, na Póvoa.

Bem, eu pensava que de seguida iríamos ver o concerto “Jazz com sabor a Chocolate”, no Diana Bar… Porém, o jantar terminou muito tarde, e como estava uma noite bastante fresca, acabamos por ir até ao Berber (casa de chá marroquina), também da Póvoa, tomar chá de menta e berbere, para ajudar a digestão e “saborear” a companhia. O ambiente é o de uma verdadeira casa de chá marroquina (música, decoração, etc).

A propósito das relações humanas que se estabelecem, dizia um amigo, que desempenha funções directivas numa grande empresa, que hoje em dia já não se fazem selecções pelas altas médias obtidas em contexto escolar ou universitário, mas antes pelas qualidades de relacionamento entre os indivíduos, pela sua capacidade de trabalho em equipa. Afirmava que os indivíduos com médias elevadas, normalmente, não sabem relacionar-se com os outros. Vivem muito para si, para o seu individualismo, causam atritos com os colegas, muitas das vezes, sem se darem conta, têm dificuldade em falar com e em olhar para os outros. Uma empresa competitiva procura no mercado indivíduos que tenham realizado outras coisas para além da vida académica. “All work no fun makes Jack a dull boy”. Se os indivíduos não experimentam o que têm a experimentar na devida altura, mais tarde tornam-se uns deslocados, uns insatisfeitos.

Verdade????

Si pudiera volver a mi pasado…
Quizás en mi pasado ella sí estaba
y yo no supe verla. Está tal vez
en él aún esperando y yo lo ignoro.

No es posible volver. Nada es posible.
Es todo tan distinto a lo soñado.
He de seguir en mi hoy. Confuso. Solo.
Aislado. Limitado yo a mí mismo.

José Maria Fonollosa

Destrucción de la Mañana

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Sunday, September 23, 2007

Cure for Pain - Estou curada

Cure For Pain -  Morphine

Where is the ritual
And tell me where where is the taste
Where is the sacrifice
And tell me where where is the faith
Someday there’ll be a cure for pain
That’s the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain
Where is the cave
Where the wise woman went
And tell me where
Where’s all that money that I spent
I propose a toast to my self control
You see it crawling helpless on the floor
Someday there’ll be a cure for pain
That’s the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain

When they find a cure for pain

When they find a cure find a cure for pain

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Thursday, September 20, 2007

“The Naked Ape” e “The dressed up Man”

 

Li recentemente o livro “The naked ape”, de Desmond Morris. Trata-se de um estudo detalhado do comportamento dos chimpanzés. A forma como se organizam em sociedade, a forma como que relacionam entre si é de tal maneira similar ao comportamento do Homem, que por vezes nos esquecemos que o autor está a falar de animais. Sobretudo nas relações que estabelecem entre si há uma tal similitude que chega a assustar. Bem, assustar, não assusta, mas deixa-nos maravilhados com a natureza. Por vezes, tive necessidade de reler alguns parágrafos, só para ter a certeza de que não estaria a falar do Homem. É como quando nos olhamos a um espelho e nos admiramos, deslumbramos, repudiamos ou desconfiamos da imagem que é projectada.

O livro é como que uma metáfora da organização social e da relações humanas. O chimpanzé é o Homem.

O livro é de tal modo interessante que fui à procura de mais bibliografia do autor. O próximo a ler será “The naked woman”. A ver vamos… O que é que o autor irá dizer sobre a Mulher?

 

 
  
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Monday, September 17, 2007

A educação de Filipa

Eu adoro ser professora. A minha formação de base não está vocacionada para o ensino, mas para a área empresarial. Contudo, jamais poderei esquecer o meu primeiro ano na carreira académica e que me fez seguir este percurso. Adoro ver que o meu trabalho faz a diferença (espero não estar a ser pretensiosa).

Como qualquer docente gostaria de ter resposta para tudo, mas infelizmente não tenho. Mais do que leccionar uma disciplina, a nós professores, compete-nos também preparar os alunos para a vida, formá-los como cidadãos intervenientes e críticos da sociedade.

O mesmo tento fazer com a educação dos meus filhos. Há uns tempos atrás, a minha filha Filipa (7 anos), que é bastante observadora do mundo que a rodeia colocou-me algumas perguntas de resposta difícil (pelo menos para mim), para uma criança daquela idade.

Perguntou-me porque é que o mar sendo o mesmo, encontramos bandeiras verdes, amarelas e vermelhas, a poucos metros de distância umas das outras. Respondi-lhe que sendo o mar o mesmo, o relevo não será e as rochas, a inclinação do areal, etc. influenciarão com certeza a ondulação.

Perguntou-me o que é que se queria dizer com a frase “com amigos como estes, mais vale ter inimigos”. Aqui tive alguma dificuldade… Como lhe explicar que não podemos confiar em todas as pessoas de igual modo? Como lhe explicar que por vezes, aqueles de quem nós mais gostamos nos traem e nos desiludem? Como lhe explicar que nem todos os que se dizem nossos amigos o são de verdade? Como lhe explicar que pela vida fora se irá desiludir algumas vezes com comportamentos e atitudes de alguns que se dizem seus amigos e por quem terá especial consideração?

Perguntou-me porque é que as pessoas se separam? Se seria por causa de alguém ou se tinham deixado de gostar um do outro. E se assim fosse, porque é que tinham deixado de gostar um do outro? A isto não consegui articular uma resposta. Não soube o que lhe dizer.

Não gostei de não lhe ter dado uma resposta, mas como explicar a uma criança, que cada relação é única, e que o modo como as pessoas lidam com os problemas também o é? Que se uma relação é forte e saudável não há ninguém que consiga interferir no que quer que seja. Bolas… Quem me ajuda???

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Friday, September 14, 2007

Estoy loco

“… La unica diferencia entre un loco y yo, es que el loco cree que no lo está mientras que yo se que lo estoy…”
“Há feridas, há traições tão profundas que não há mais nada a fazer, a não ser … esperar” - Anatomia de Grey
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Thursday, September 13, 2007

Dali e Jazz com sabor a chocolate

Ontem fui ver a exposiçao de Dali, no Palácio do Freixo, no Porto.

Estava um pouco desiludida, sentia-me mal comigo própria, de modo que resolvi fazer um pequeno desvio para me animar.

A visita valeu bem a pena, não só pela exposição, mas também pela arquitectura do Palácio (que raramente está aberto ao público) e pela sua área envolvente.

Quanto à exposição, adorei. Está muito bem distribuida pelo espaço e apresenta todas as fases do pintor (pintura e escultura).

Depois da visita, resolvi dar uma volta no espaço exterior, junto ao Rio Douro. Detesto a solidão, mas ontem, sozinha, com os meus headphones e a minha máquina fotográfica senti-me bem. Quem diria! Consegui pôr perspectiva o que me apoquentava e acabei por tomar várias decisões. Resolvi não valorizar o que não tem qualquer valor; consegui ordenar as ideias e não complicar o que é simples. Porque na vida tudo é simples: estamos aqui apenas de passagem. O destino somos nós que o traçamos e só depende de nós!

De volta ao carro, reparo num pequeno folheto. “Viagem na cultura dos sabores: Jazz com sabor a chocolate”. Epá… é isso mesmo que me está a apetecer. No dia 22, às 21,30h, vou assistir a este espectáculo, na Biblioteca da Póvoa de Varzim. Pelo que diz o folheto parece ser interessante: “Enquanto tem a oportunidade de ouvir uma banda de jazz, pode também experimentar vários tipos de chocolate. Esta é uma forma de unir dois tipos de arte tão diversificados, a música e a culinária, já que, enfim, ambos dão prazer: o de ouvir e o de degustar”.

 

 

 

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Wednesday, September 12, 2007

Vai-te embora tristeza

Closer - Travis

I‘ve had enough of this parade.
I’m thinking of the words to say.
We open up unfinished parts,
Broken up, it’s only love.

And when I see you then I know it will be next to me
And when I need you then I know you will be there with me
I’ll never leave you…

Just need to get closer, closer,
Lean on me now,
Lean on me now,
closer, closer,
Lean on me now,
Lean on me now.

Keep waking up (waking up), without you here (without you here).
Another day (another day), another year (another year).
I seek the truth (seek the truth), we set apart (we set apart)
Second glance, a second chance.

(…)

 

Estou triste!

Por vezes as pessoas iludem-me (ou desiludem-me) com os seus comportamentos e atitudes. Tenho por hábito confiar, empenhar, entregar e investir nas relações humanas, como animal social que sou.

Estou triste!

Não entendo porque há indivíduos que quando deixam de investir numa relação não têm a frontalidade de a comunicar e explicar, limitando-se a fugir em frente! Ou a enterrar a cabeça na areia como a avestruz.

Estou triste!

Pensei que esse tipo de comportamento fosse típico das comunidades on-line. Mas a verdade é que há uma certa projecção dos comportamentos offline nos online.

Estou triste!

Apercebo-me que por vezes se atropelam as regras de boa convivência, da amizade, em prol de algo, que muitas das vezes não tem solução. Não acredito em remendos. O remendo,por muito bem feito que esteja, mais cedo ou mais tarde, acabará por rasgar. É como um dique com pequenos buracos e brechas. Por muito que os tapemos, por vezes a pressão da água é tanta que acaba por desabar.

Acredito nas pessoas. Acredito nas decisões que moldam e condicionam a nossa vida. Mas, quantos de nós já tomaram decisões, das quais se arrependeram mais tarde? A escolha de um curso, a escolha de uma profissão, a escolha de um companheiro/a.

Lembro-me de um provérbio japonês: “Se tem solução, porque te preocupas?; se não tem solução, porque te preocupas?”.

Porque me sinto assim? Provavelmente é por daqui a dois dias ser o meu aniversário. Bolas…

Vai-te embora tristeza…

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