I’m THE special one!
Fui dar com a minha filha a ler um diário que mantive durante algum tempo, há uns 20 anos atrás. Já não me lembrava que o caderno existisse, mas como tive a casa em obras, grande parte das tralhas ainda está encaixotada e armazenada. Daí que dei com ela muito entretida, sentada na relva, junto aos baloiços, a lê-lo.
Fiquei um pouco incomodada, confesso. Fiquei incomodada por me ter incomodado.
Na verdade, quando escrevo neste espaço, normalmente é sobre mim (não gosto de falar e muito menos fazer juízos de valor sobre os outros), exponho-me e isso não me incomoda. Então, porque me senti assim, ao ver a minha filha, partilhar dos meus pensamentos e da minha intimidade? Vai daí, toca de lhe tirar o caderno da mão e de o desfolhar. Tive necessidade de o reler, não na sua totalidade, mas pequenos pedaços.
Comecei por o observar: é um caderninho, onde fui expondo o meu quotidiano e o daqueles que comigo privavam, das relações mais ou menos profundas, mais ou menos superficiais que mantive, tem esboços e desenhos de lugares por onde passei e que de algum modo me marcaram (nessa altura desenhava muito!).
Ao desfolhar as páginas, um pequeno papel amarelado pelo tempo prendeu a minha atenção. Tinha uma frase que dizia: “Adelina, you’re anything but ordinary. Don’t you ever forget it! Don’t you ever dare change!” Parei. Peguei no papel. Lembrei-me de toda a história que esteve na base daquele conselho. Como foi possível tê-lo alguma vez esquecido?
YOU’RE ANYTHING BUT ORDINARY.
Esta frase é para todos aqueles que nem sempre estão de bem com a vida. Todos nós somos seres únicos e especiais. E quem não nos faz sentir assim, não vale a pena. É um ser comum!







