Ora, cá estou eu a chatear. Por chatear entenda-se “falar, escrever, interagir numa sala de chat”. Isto de chatear umas vezes é uma grande chatice. Outras, nem tanto.
Vejamos: chatear tem as suas vantagens, nomeadamente a interacção com o(s) outro(s) em tempo real, onde quer que eles estejam. Mas, tem também as suas limitações. Eu entendo o Homem como um ser único, uno e holístico. Para mim, é muito difícil compartimentar o corpo humano, segmentá-lo, dividi-lo. Numa sala de chat apreciamos somente a competência de expressão escrita, com a qual nos podemos identificar, apreciar, ajuizar, valorizar, etc. É claro que há sempre a possibilidade de acrescentar uma webcam. Ainda assim continuamos apenas a ver uma parte de um todo. Acrescentemos ainda o som. Pois ainda assim, não sinto o outro por completo. Faltam elementos essenciais para as relações humanas como o cheiro, o toque, a postura, as expressões que se fazem que passam dissimuladas por uma camâra web.
Hoje de manhã, ouvi uma crónica do Joel Neto, na rádio. Já tinha lido algumas crónicas do autor na imprensa escrita e visto uma fotografia do indivíduo. Quando hoje ouvi a sua voz foi como que uma peça se encaixasse, mas o puzzle continua incompleto. Fez-me lembrar, há uns tempos atrás um… indivíduo (hesito entre colega, amigo de infância ou conhecido). Começamos, por acaso, por trocar mensagens escritas, depois falamos ao telefone. A escrita dissociada da voz e a voz dissociada de um corpo… é estranho e voz soa estranha. Finalmente, encontramo-nos. Foi tudo muito estranho. A escrita, a voz e corpo eram já um todo, mas esse todo era fragmentado. A visão do conjunto, holística, do indivíduo, como primeira impressão, foi determinada pelas primeiras impressões formadas quer a nível da escrita, da voz e, por fim, do corpo.
Há uns 5 anos, fiz um curso de colocação de voz. Depois de vários “ensinamentos” e “aprendizagens” de como respirar pelo diafragma, exercícios de voz, etc… o maior ensinamento/aprendizagem de todos foi que a voz é parte integrante do nosso corpo. Voz e corpo têm de funcionar como um todo. Quando estamos a interagir com o(s) outro(s) todo o “Todo” tem de encaixar.
É por isso que é mais fácil para alguns mandar uma mensagem escrita, impessoal, porque se encontram protegidos, do que “investir” no contacto pessoal, mais exposto, mais personalizado, mais humano.