Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

(Des)Culpa

Acabei de ler uma entrevista ao Gus Van Sant. O curioso é que, também, há uns dias, li uma outra entrevista ao Wim Wenders. E a coincidência final é que são ambos realizadores de referência da minha juventude. Lembro-me de assistir no Cinema Jardim, nas noites de Verão, a filmes dos dois realizadores. "Até ao fim do mundo", "Paris Texas" do segundo e "Mala Noche", "My own private Idaho" do primeiro, foram filmes que me ficaram na retina, ou melhor, em todos os meus sentidos.
A companhia também ajudou bastante...
Estreou o último do Van Gus - "Paranoid Park". Parece que é um filme sobre a culpa...
Perguntaram-me uma vez sobre o sentimento de culpa... Eu acho que só há culpa quando há intenção. E depois há sempre uma desculpa.
Também uma vez me disseram que quando se pede desculpa nos estamos a submeter ao outro. Eu até concordo... mas estou muito mais convicta que as desculpas se devem evitar... Assim como o sentimento de culpa.
As crianças defendem-se dizendo: "Eu não tenho culpa!". Um adulto vive e convive com o sentimento, até que este o vai consumindo. É aí que se arranjam as desculpas...E quanto mais se desculpam, mais se culpam.
Escrito por ams em 18:37:47 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Framed in a box

Tinha-lhe oferecido uma máquina fotográfica digital Olympus (7.2 megapixels; 50x zoom). Via-a sair todos os fins-de semana de máquina ao ombro. "É a tua companhia", dizia-lhe. E acrescentava: "Deixa-me tirar-te uma foto. É para te ter sempre comigo. Quero-te ao meu lado mesmo quando estou a trabalhar no gabinete."
Ela respondeu-lhe: "Para que me queres emoldurada? Para que me queres estática, sem vida? O original é sempre melhor do que a cópia. Para que queres a cópia se tens o original? Não gosto que me prendam numa imagem. Não gosto de saber que estou encaixilhada. Eu quero ser livre. A fotografia não é para ti nem para mim. A fotografia é para os outros. Os outros não me interessam. Só tu me interessas!" 


                                        Póvoa de Varzim, 2007                          Adelina Silva
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Não há pachorra!

Gosto de andar de autocarro. Gosto que me conduzam... Assim, tenho tempo para outras coisas, como por exemplo, ouvir conversas dos meus companheiros de viagem. Distrai-me...
Li, há uns tempos atrás, uma crónica do Hélder Pacheco, no Jornal de Notícias, intitulada "Preciosa Mediocridade". Nela abordava um dos sete pecados capitais - a preguiça. Escrevia: "No 'síndrome do banco de dentro', vê-se nos autocarros, quem quer dar menos trabalho ao traseiro e poupar 50 cm de esforço". É bem verdade!
Pois, entrei no autocarro que me levaria à Faculdade de Economia, onde iria ter uma reunião. Mal entrei, não havia um único lugar vago junto à coxia. Duas senhoras conversavam, uma ao lado da outra, separadas apenas pela... coxia. Pedi licença a uma delas e passei para o lugar junto à janela. 
Prestei atenção à conversa...
- Isto de se ter um canudo, não quer dizer nada! Pensam que são mais do que os outros e às vezes sabe-se lá... Olha por exemplo, fulana... Tem o curso de História de Arte... Para que é que isso serve? Nem para dar aulas!! Uma média de entrada rasquinha... Faz-se o curso com uma perna às costas... E depois tirou outro curso... um desses só para ocupar o tempo... Claro, para onde é que ela ia? E agora entrou aqui, sabe-se lá como. Ora, nós sabemos... Porque o marido que trabalha cá deve ter mexido os cordelinhos para a "meter" aqui...
E a conversa continuou.... Sairam na mesma paragem que eu, junto ao Hospital. Atravessaram a rua, continuando com a "corta na casaca".
E eu apressei o passo. Deixei de as ouvir. E no meu trajecto até à FEP pensei: "Bolas, ainda há quem tenha tempo para falar da vida dos outros: haja pachorra para a mediocridade!"
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Espaços

Sábado, 24 de Novembro

Hoje é dia de festa... "Let's party, doods!"
Logo pela manhã, a disposição para preparar o ambiente, a logística e a gastronomia apropriado à ocasião, é muito pouca (digamos mesmo que nenhuma). Depois de um pequeno (grande) esforço, lá fui fazer as compras.
Mentalmente, fui planeando o dia: primeiro, fazer isto, depois fazer aquilo...
Há hora combinada, lá foram aparecendo os amigos. E eu na cozinha... Aqui se vê a diferença de género... Enquanto que o sexo masculino se reunia à volta do bilhar, dando umas tacadas furiosas nas coitadas das bolas... o sexo feminino reunia-se na cozinha... Ninguém estava com disposição de ir para a sala, onde as labaredas provenientes da lareira aqueciam o ambiente. O ambiente na cozinha estava mais "quente".
Porque será que é na cozinha que normalmente se fala de coisas mais pessoais? Porque será que é na cozinha que as pessoas se abrem mais? Terá a ver com a intimidade do lugar? Terá a ver com os odores? Terá a ver com os paladares?
Bom, a verdade é que todo este ambiente mais intimista, me animou... Eu gosto destes encontros. Parecem rituais de passagem... E faz-nos questionar sobre as nossas escolhas... Sobre o lívre arbítrio.
E por falar em escolhas... mandaram-me este vídeo... Interessante!


Escrito por ams em 12:22:00 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, 25 de Novembro de 2007

Come on Adelina

- Adoro-te! Amas-me?

Ainda não completamente desperta, ficou na dúvida se o que tinha ouvido fazia parte do sonho. Sentiu que a abraçavam. Sentiu a respiração quente no seu pescoço. Tudo aquilo que estava a passar de verdade.

- Tens dúvidas? – respondeu.

- Tens andado estranha. Não és a mesma. Estás mais calada, mais introspectiva. O que se passa afinal?

- Sinto-me cansada, exausta. Sinto-me sozinha. Tu nunca estás. Sinto que sugaram as minhas forças. Eu não sou assim. Eu não quero ser assim. Nada disto faz sentido, pois não?

Ele não respondeu. Também não era suposto que o fizesse. E ela continuou:

- Sinto que me estou a trair. Estou a dar uma imagem de mim, que não corresponde ao que sou. Preciso de ajuda. Sozinha não vou conseguir, não tenho força para isso. Ajudas-me?

Os seus olhos fixaram-se nos dela. Abraçou-a ainda mais forte.

- Nós somos uma equipa. Desculpa por não ter estado mais atento. Juntos vamos conseguir.

No rádio passava “Come on Eileen”, dos Dexys. Era uma das suas músicas predilectas, de quando se encontraram pela primeira vez, há uns 15 anos.

 

Pormenor de Caricatura da Exposição Tango        Marlene Pohle
Escrito por ams em 13:49:18 | Link permanente | Comments (3) |

Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Everybody's free (to wear sunscreen)

Enviaram-me um vídeo acompanhado do texto que de seguida se transcreve:

Wear Sunscreen (Use Filtro-solar)

 Baz Luhrmann


Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:"usem filtro solar". O uso, a longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente na minha própria experiência. Eu lhes darei esse conselho:

Desfrute do poder e da beleza da sua juventude. Ou, esqueça...
Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era... Você não é tão gordo(a) quanto você imagina.
Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.
Todos os dias faça alguma coisa que te assuste. Cante. Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.
Relaxe. Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos. (Se você conseguir fazer isso, me diga como...) Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extractos bancários. Estique-se.
Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não.  Talvez você se divorcie aos 40.  Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder.  Use-o de todas as formas que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele. Ele é o maior instrumento que você possuirá.
Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.
Saiba entender seus pais. Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora p’ra valer. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.
More em New York City uma vez. Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura.
More no Norte da Califórnia uma vez. Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje.
Aceite algumas verdades eternas: Os preços vão subir, os políticos são mulherengos e você também vai envelhecer. E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem: os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha um fundo de garantia. Talvez você tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos. Mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.
Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.


Este texto pode ser acompanhado do vídeo em http://www.portalcab.com/video/?play=filtro-solar


(Tomei a liberdade de salientar algumas partes que me parecem bastante apropriadas nesta fase da minha vida)

Escrito por ams em 11:36:08 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Baudelaire

O HOMEM E O MAR

Homem liberto, hás de estar sempre aos pés do mar!
O mar é teu espelho; a tua alma aprecias
No infinito ir e vir de suas ondas frias,
E nem teu ser é menos acre ao se abismar.

Apraz-te mergulhar bem fundo em tua imagem;
Em teus braços a estreitas, e teu coração
Às vezes se distrai na própria pulsação
Ao rumor dessa queixa indómita e selvagem.

Sois todos esses deuses turvos e discretos:
Homem, ninguém sondou-te as furnas mais estranhas;
Ó mar, ninguém tocou-te as íntimas entranhas,
Tão ciumento que sois de vossos bens secretos!

E todavia há séculos inumeráveis
Combatíeis sem nenhum remorso nem piedade,
Tamanho amor guardais à morte e à crueldade,
Ó meus irmãos, ó gladiadores implacáveis!

Baudelaire


Póvoa de Varzim, 2007                                      Adelina Silva

Escrito por ams em 08:59:06 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Aulas de Substituição

De autor desconhecido:



Eu não dou aulas de substituição,mas tenho observado que o que se passa é exactamente isto! Muito bem apanhado!

Escrito por ams em 10:52:37 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, 18 de Novembro de 2007

Parabéns, Mário!

Hoje o Mário faz 10 anos. Acordei com isso no pensamento. Passei em revista estes últimos 10 anos e o quão a minha vida se alterou. Na verdade, estes anos vistos em retrospectiva, passaram-se num instante. O que é que eu fiz em 10 anos? É claro que fiz alguma coisa, mas também deixei em  stand by muitas outras coisas que gostaria de ter feito.
Não sou daquelas pessoas que diz que nunca se arrepende de nada do que fez na vida, e que mesmo quando as coisas não correram bem, que as voltariam a fazer. Eu não sou assim... Se pudesse, apagaria algumas coisas da minha vida.
Mas, o meu filho... eu adoro o meu filho! Nasceu na Ordem do Carmo, onde permanecemos os dois durante 5 dias. O meu marido, por motivos profissionais, logo nessa altura, teve de se ausentar do país. Parecia uma premonição!...
Bem, o que interessa é que hoje, o telefone vai tocando, não só para parabenizar o Mário, mas também a mãe do Mário.
Parabéns a mim, pelo filho que tenho!

Escrito por ams em 15:34:47 | Link permanente | Comments (0) |

Sábado, 17 de Novembro de 2007

O minha Wiki

Fui mordida pela febre das Wikis...

Acabei por criar uma para usar nas minhas aulas com os meus alunos do curso profissional...

E outra para meu uso. Vou ver o que é que esta ferramenta, quer num caso quer no outro, vai fazer a "diferença" ou se, como dizem os mais cépticos, é mais da mesma coisa.

Enquanto que a primeira vai depender exclusivamente do empenhamento, do interesse, do envolvimento e do trabalho dos meus alunos, a segunda, sendo da minha inteira responsabilidade, depende por isso de mim.

Podem consultá-la e contribuir com as vossas opiniões em http://cdp.wikispaces.com/.

O que eu precisava mesmo era de uma acção de formação em Wikis. Em bem que a indiquei lá na Escola... mas ninguém conhece uma alma iluminada que entenda alguma coisa do assunto. Parece que tenho de ser eu a meter mãos à obra...

Escrito por ams em 20:23:20 | Link permanente | Comments (0) |
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