Sunday, December 30, 2007

Mensagem de final de ano

Aproxima-se o final de 2007.
Como todos os anos impares (coincidência ou não), este não fugiu à regra: foi um ano de mudança. A vários níveis!! Até o final do ano vai ser festejado de maneira diferente.
Li a crónica da Cidália Dias (O Sexo e a Cidália, NS, 28 de Dezembro), intitulada “O fim do amor”. Li-a e reli-a com a sensação de que aquela era a minha escrita.
Começa ela: “Não sei se é bom ou mau chegar ao fim do ano com o coração partido. Acho sempre que a última impressão é a mais importante. É com essa que ficamos porque a primeira, a que parecia mais forte, desvaneceu-se com esta dor que trazemos agora”.
E continua: “Deviamos poder pagar para nos vermos livres do que dói. Se o dinheiro tudo compra, também podia haver um preço para nos libertarmos da mágoa, da angústia, do vazio. Mas não há. Perguntam-me qual o lado bom deste sofrer? É pensar que teremos o próximo ano (e os outros?) para encontrar um novo amor. Até podem ser vários. (…) Vários amigos meus estão agora a separar-se. Lamento por eles, porque também há um bocadinho em mim que morre com o amor que nunca foi meu, mas que vi crescer. E definhar”.
Bem, a crónica é longa… e termina com uma pergunta: “Não é fácil perceber o amor?”
Percebê-lo até pode ser fácil, mas entendê-lo… é mais complicado.
Subscrevo tudo o que a Cidália escreve. Reforço o TUDO.
Pergunto-me porque é que quando se faz tudo certo, as coisas teimam em sair erradas. Quer-me parecer que a vida e as relações são como a culinária. Podemos seguir a receita à risca com as quantidades indicadas e a medida certa. Contudo, o resultado final nem sempre é o da fotografia do livro. Pena!
Perguntaram-se o que é que eu queria da vida. Depois de algumas hesitações e respostas evasivas, enchi-me de coragem e respondi: “Ser Feliz!”
Sim é esse o meu objectivo para 2008.
O meu lema para o ano que se avizinha terá como mote a última quadra do poema de Pablo Neruda “Muere Lentamente”:

¡Vive hoy!
¡Arriesga hoy!

¡Hazlo hoy!
¡No te dejes morir lentamente!
¡NO TE IMPIDAS SER FELIZ!

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Saturday, December 29, 2007

O quotidiano de Jeremy


Jornal de Notícias, 27 de Dezembro de 2007
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Friday, December 28, 2007

Paz e sossego

Gondomar, 2007            Adelina Silva

E depois de tanto trabalho um merecido descanso…

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Thursday, December 27, 2007

Azevinho e Natal

Gondomar, 2007                 Adelina Silva
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Monday, December 24, 2007

Véspera de Natal

Despertou com a sensação que de um peso que lhe comprimia o corpo e lhe tolhia os movimentos. Há algum tempo que sentia esse desconforto, dores que lhe invadiam o corpo e a alma. O quarto estava na penumbra. Depois de alguns momentos de hesitação levantou-se. Ao passar pelo espelho estancou. Mirou-se.

A casa estava em silêncio. Estava sozinha. Tinha tempo. Despiu-se. Olhou-se. Gostou do que viu. Olhou-se nos olhos. Ficou assim durante algum tempo. Pensava em tudo e em nada.

Aquelas dores não pareciam ser de causa física. Resolveu examinar-se mais minuciosamente. Sim, definitivamente, estava tudo normal.

Mas as dores continuavam. As dores continuam. Voltou a vestir-se. Resolveu tomar um banho de imersão. Água quente, sais de banho, música de fundo, bem baixinha… e ali ficou. Fechou os olhos.
Era véspera de Natal… um dia longo a esperava. Mais um. Seriam os poucos momentos que teria para si. Começou a pensar que teria de pensar mais em si e menos nos outros. Mais nas suas dores e menos nas dores dos outros.

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Friday, December 21, 2007

Fonollosa - Ciudad del Hombre: Barcelona

CARRER DE SANT ANTONI DE PÀDUA

Sorprende especular con las palabras. El futuro no existe. No ha llegado, ni nunca llegará, hasta mi presente.
El presente no existe. Al darme cuenta del instante en que vivo éste es pasado.
El pasado no existe. Al evocarlo contemplo algo que ha muerto ya en el tiempo.
Pero el tiempo no existe. Entonces yo ¿no viviré, no vivo, ni he vivido?
Asombra a donde llevan las palabras. No soy una abstracción. Yo soy materia y ésta cumple su ciclo en el espacio.
Desconozco en qué espacio. Es una incógnita. No alcanzo a conocer sino de límites.
No sé si cumplo bien lo a mí asignado, ni cuál es mi tarea tan siquiera.
Acaso formo parte de algo, o de alguien, para mí de tamaño inconcebible, como ínfima bacteria o humilde célula de ese cuerpo en el cual emerjo y muero. Como lo hacen en mí ignorados seres.

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Sweet loving children

As crianças são fantásticas! Reformulo, os meus filhos são fantásticos! Levei-os comigo para a escola e fomos almoçar, com vários colegas. Depois do almoço e enquanto eles brincavam, diziam-me os colegas: “Oh, Adelina, o teu filho é muito bonito, mas a tua filha é lindíssima.” Claro que como mãe-galinha e, apesar de já o saber, fiquei muito babada com essa constatação e de não ser eu a única a pensar o mesmo.

Esta semana estiveram numa festa de Natal na faculdade onde o pai dá aulas.
Quando regressaram fiz as perguntas habituais: se se tinham divertido, se tinham conhecido muitos meninos, etc..  Resposta unânime. Sim e sim. 

Mas, a minha filha continuou: “Estavam lá umas colegas do pai que disseram ‘vamos lá a ver se descobrimos quem são os filhos do Fernando’. Uma disse ‘aquele é o filho pois é a cara chapada dele’. E o pai riu-se. Depois não conseguiam ver quem era a filha e o pai teve de dizer quem eu era, explicando que se o Mário era a sua fotocópia, eu era a tua fotocópia, pois a tua cara chapada”. Rimo-nos os quatro. 
Na verdade, se há coincidências esta é uma delas: um moreno, cabelos aos caracóis; outra loira, de cabelos lisos. Quem diria que são irmãos?

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Tuesday, December 18, 2007

(Auto) Gestão Escolar

Estou doente! Sinto-me mal… estou com febre…
Aproveitei a doença para parar um pouco e actualizar a minha leitura jornalística. Li tudo ao detalhe: notícias, reportagens, crónicas, artigos de opinião, fait-divers, etc..
Mais uma vez, a crónica de João Miranda, do Diário de Notícias, de sábado prendeu a minha atenção. Juro que não é perseguição, mas o que este senhor escreve, precisa realmente de alguma explicação. O título é “Autogestão Escolar”.
Vou então desconstruir alguns dos clichés escritos por este senhor.
Começa ele “As escola públicas recebem dinheiro dos impostos para prestar um serviço ao público em geral”. Ok, concordo. Continua: “Simplificando, os professores, os funcionários e os dirigentes de uma escola são agentes ao serviço do contribuinte“. Parece esquecer-se que também eles são contribuintes. Assim como todos os outros agentes do Estado: médicos, professores universitários, lixeiros, políticos, autarcas, etc.. E continua “Mas quem actualmente manda na escola são os professores e os funcionários, que escolhem os conselhos executivos e os burocratas do ME, que decidem o que é que os CE podem fazer“. Engana-se! Não é actualmente, sempre foi. No entanto, cada vez menos, até porque os pais e encarregados de educação também têm voz, bem como os alunos. Sabia?
O contribuinte, na prática, não manda nada. Quem paga não manda, quem manda não paga“. Esta frase é de bradar aos céus!! Eu também contribuo para os hospitais e no entanto se tiver de ir a uma urgência fico lá mais de 5 horas para ser atendida. Eu contribuo para as estradas de Portugal e os pneus do meu carro estão gastos de tanto buraco, já para não falar das estradas mal projectadas ou construidas.
Os professores encontram-se numa posição duplamente privilegiada“. Como?? Vejamos, por acaso não quererá dizer duplamente penalizada??? Por exemplo, o senhor sabia que um qualquer trabalhador, ao abrigo da Lei Geral do Trabalho pode dirigir-se à escola do seu filho para saber da situação escolar do seu educando, tendo para isso direito a 4 horas por trimestre, mas se por acaso esse trabalhador for um professor esse direito lhe está vedado? Sim, porque um filho de um professor é diferente dos outros meninos e um professor não pode faltar às aulas só para falar com a DT. Falemos agora do meu horário: passo semanalmente na escola, pelas horas efectivamente marcadas no meu horário, assinando a minha presença de 45 em 45 minutos, 28 horas semanais. Acresce que a estas horas tenho todas as semanas reuniões de Conselhos de Turma, Conselhos Pedagógicos, Reuniões de Departamento e de Grupo Disciplinar, para além de outras actividades que me propus realizar com os meus alunos. Ora isto tudo somado, por semana, já ultrapassei largamente as 35 horas semanais. Mas, para além disso, ainda tenho que preparar aulas, fichas formativas, de avaliação, materiais, corrigi-los, etc, etc… Fala o senhor em duplamente privilegiada? O senhor sabe o que é dar aulas a 8 turmas de 28 alunos, com uma média de idades entre os 13 e os 16 anos?? Experimente, e depois me dirá. É que dar aulas, não é estar num qualquer gabinete a atender alunos adultos, individualmente. 
É por isso que as coisas no ensino avançam a ritmo lento, enquanto houver pessoas como o senhor a legislar e a mandar bitaites de gabinetes, sem qualquer contacto com a realidade. 
Já que é investigador, aconselho a utilizar a Investigação-Acção. Depois emita uma opinião. 
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Friday, December 14, 2007

It takes two to Tango

“It takes two to tango” (Dizem que o tango é a dança da sedução.)

No jogo da sedução terá de haver um sedutor e um seduzido (alguém que se deixa seduzir, que quer ser seduzido, etc). Ou seja, ambos têm de manifestar a vontade e de estar predispostos para o jogo.

O que é que se passa em ambiente virtual quando o comparamos com o ambiente real?

Em ambiente virtual: as pessoas são mais desinibidas, as palavras são a chave da sedução, a imaginação, a construção de uma identidade verdadeira ou imaginada, o mistério, a encenação …

Em ambiente real: há dois factores que, do meu ponto de vista, contribuem para o jogo e para a sedução – factores físicos/corpo e factores ambientais.

Como factores físicos temos: o aspecto, a fisionomia, as roupas, o cheiro, o olhar, o toque, as carícias, a voz e o tom de voz, as palavras (repara que são basicamente as sensações, os sentidos – olfacto, tacto, audição, visão e gosto). Como factores ambientais: a iluminação, a música…

Quer num quer noutro ambiente só damos ou revelamos ao outro aquilo que queremos e o outro age de igual modo. E por vezes, só percepcionamos do outro aquilo que queremos percepcionar ou que imaginamos. Cada indivíduo é um mundo e só revela de si aquilo que quer que os outros saibam. Não quer dizer que seja consciente ou que haja uma qualquer intenção, mas fazê-mo-lo todos os dias.

Da minha (pouca) experiência, em ambientes virtuais, os indivíduos têm tendência a soltar-se mais e a dar azo à sua imaginação. Mas, quando se encontram na vida real, tendem a ser mais retraídos.

Da minha relação prof/alunos, em ambiente virtual tendem a abordar assuntos de cariz pessoal ou então a colocar dúvidas sobre a matéria abordada na aula. Quando nos encontramos novamente em contexto real, as conversas mantidas no chat é como se nunca tivessem existido. Há como que um mútuo e tácito entendimento. Os assuntos abordados em ambiente virtual permanecem lá.

Nas relações f2f há pequenos gestos que “denunciam” o indivíduo.

Pelo aspecto, pelos gestos, pelo cheiro e muitas das vezes por pequenas coisas, nem sempre as palavras estarão presentes. À medida que nos relacionamos com o outro, e penso que só aí, poderá surgir o desejo, mais uma vez condicionado aos factores que referi anteriormente: o toque, o olhar, etc.

Não me parece que o desejo possa surgir, sem haver atracção e a vontade de ambos.

Em ambiente virtual, quando se está numa sala, como é que se selecciona com quem nos queremos relacionar? De certeza, que a primeira impressão vai ser pelo nick utilizado. O resto vem depois. Mas aqui, as pessoas são mais desconfiadas (minha opinião), pois não vêem quem está do outro lado.

Todos os indivíduos gostam de ser alvo de desejo (saudável). Quem é que não gosta de receber um carinho, um abraço, um beijo, de acordar com alguém a seu lado que lhe passa a mão pelo corpo (sem se sentir invadido)…
Vai um Tango?

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Thursday, December 13, 2007

Relações Virtuais Reais ou Reais Virtuais?

O que é real? O que é virtual? As relações que se estabelecem entre o real e o virtual são complementares, contínuas (embora, por vezes, intermitentes). Quantas vezes iniciamos uma conversa no mundo real e a continuamos no mundo virtual? Quantas vezes começamos uma conversa no mundo virtual e a concluímos no mundo real? Quantas vezes as relações se confinam ao mundo virtual? Quantas relações não transpõem o mundo real?
Perguntaram-me sobre as desilusões.
“Desilusões, só mesmo no mundo real” – respondi. Pareceram-me surpreendidos pela resposta.
Sim, no mundo virtual não há lugar para a desilusão. Esta só se concretiza no mundo real, quando comprovamos que tudo o que se passa no espaço virtual não é mais do que uma ilusão (provocada, consentida, desejada, doída…). Quanto mais reflicto sobre isto mais se lembro dos Eurithmics, em “Sweet Dreams”:

Everybody’s looking for something
Some of them want to use you
Some of them want to get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused
Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?
…”

O virtual é o lugar do sonho? Poderá ser… mas apenas para quem quiser que não passe disso. O virtual, para mim, é real. Contudo, a minha realidade é, por vezes, virtual.
Eu tenho projectos. Eu tenho objectivos. Eu tenho sonhos. Deixem-me sonhar!

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