Feliz Aniversário, Filipa!
Há uns tempos atrás fui dar com ela a registar os seus pensamentos e as suas histórias num pequeno bloco. Surpreendeu-me o seu discurso e a sua coerência, de criança de sete anos. A pontuação, o vocabulário e o conto…


Valongo, 2008 Adelina Silva
(…)
J. M. Fonollosa
Estou no Café da FNAC (Santa Catarina, Porto). Está a tocar a música do Rodrigo Leão, o seu último álbum. Se já me sentia deprimida, ainda mais me sinto.
Perguntaram-me sobre mim e sobre a minha vida. Respondi “- Sabes o que me apetece? É dar uma volta nos Jardins de Serralves. Sozinha.” Confesso que gosto deste tempo cinzento, não muito frio e a ameaçar chuva. Gosto dessa impressão nos vastos jardins da Casa de Serralves, sem grande público, sem grande confusão, sem grande algazarra. Não tive ainda a possibilidade de o fazer. Daí que resolvi, hoje, dar uma volta pela Rua de Santa Catarina, onde um casal oriundo dos países de leste, provavelmente da Rússia, tocava a balalaica e o acordeão, num rol de músicas e melodias que me comprimia o coração.
Refugiei-me na FNAC e vim cair à toca do lobo. O que faço? Fico? Saio? Se saio, para onde?
Abro ao acaso o catálogo “A Lifetime Experience”, que se encontra em cima da mesa: página 249 - baptismo de mergulho na ilha Berlenga… bem este já fiz; página 173 - massagem indiana… bolas, é só em Lisboa; página 172, massagem ayurvédica total relax… hum, mas que raio é isto?; página 190, Time for two…, pois, pois… Tempo para dois….
Bem, estou a precisar disso. Esta música está a fazer-me mal. Vou-me embora.
Asiento interiormente y me dan ganas
de sumarme a sus voces. Les escucho.
Son míos sus anhelos. Soy como ellos.
Me siento entre los míos nuevamente.
Como esa casa sola en un camino
que al tener compañía de otras casas
experimenta orgullo de ser pueblo.
-«Debemos reclamar nos abran paso
para así demostrar nuestra valía».
Con la sonrisa apruebo sus palabras.
Mas noto que me escrutan hostilmente.
Y entonces me doy cuenta que no soy
sino lo que revela el yo fingido.
Que mi sitio ha cambiado con mi aspecto.
A mí también incluían sus palabras.
Mas no sé qué ceder si nada guardo.
Si a nada yo he accedido todavía.
Si al igual que ellos grito a los mayores:
-«Hacedme sitio, ineptos». Pero en balde.
No hay sitio para nadie en parte alguna.
Apretujados todos maldecimos
pidiendo amor, dinero y gloria a costa
de quien sea y lo tenga. De regalo.
O a cambio de qué sea. A cualquier precio.
J. M. Fonollosa
Le loup criait sous les feuilles
En crachant les belles plumes
De son repas de volailles:
Comme lui je me consume.
Les salades, les fruits
N’attendent que la cueillette ;
Mais l’araignée de la haie
Ne mange que des violettes.
Que je dorme! Que je bouille
Aux autels de Salomon.
Le bouillon court sur la rouille,
Et se mêle au Cédron.
Rimbaud, A., in Derniers vers