Friday, February 29, 2008

As adversidades da vida

Diz o povo: “É nas adversidades que conhecemos os nossos amigos”. Nada mais verdadeiro.
Há acontecimentos que nos marcam e que, de certo modo, condicionam a nossa visão do mundo e do que(m) nos rodeia. Falo disto a propósito do falecimento do meu tio, irmão da minha mãe. Nos últimos tempos, a minha mãe passava todas as tardes na companhia do seu irmão, 14 meses mais velho do que ela. Acompanhei o seu sofrimento e a sua dor. Fui a sua ouvinte… escutei-a.
No dia do funeral do meu tio (ontem) encontrei pessoas que já não via há anos. Parece ridículo! Cumprimentámo-nos, falamos das nossas vidas e dos tempos passados.
Para além de toda a emoção que uma altura como esta alberga, ontem, comovi-me por outros motivos. Há uns tempos escrevi aqui sobre um grito de uma mãe que tinha visto o seu filho acidentado, à minha porta. Ontem, encontrei-o. Não o conhecia… não era o mesmo. Contudo, perguntou a alguém quem tinha sido a pessoa que tinha chamado o INEM naquele dia. E alguém disse que tinha sido eu. Veio ter comigo e agradeceu-me. Imaginem… agradeceu-me… como se fosse necessário. Eu fiquei sem palavras. Sem saber o que dizer. Abracei-o.
E eu, que normalmente sou forte, de repente senti os olhos cheios de lágrimas.
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Friday, February 22, 2008

Programação Serralves

Acabei de ver a programação de Serralves para os próximos tempos. Despertou-me a atenção sobretudo um ciclo, cujo tema é:

“O QUE FAZ DE NÓS HUMANOS?
04 Mar - 29 Abr 2008 - das 21:30 às 23:30 - CASA DE SERRALVES

Perspectivas evolutivas sobre o cérebro, o comportamento e a paisagem

O corpo e a mente têm uma história evolutiva e uma história cultural e é dessa história que emergem as diferentes facetas do que significa ser humano. Ambos se manifestam através dos comportamentos e dos pensamentos individuais e colectivos em habitats específicos, moldando-os e sendo por sua vez moldadas por eles. Desta relação entre corpo, mente e paisagem resulta a unidade e a diversidade humanas, assim como as possibilidades que apresentam de continuar a evoluir. Através de exemplos retirados da etologia animal e humana, das neurociências e da ecologia, percorreremos diversos aspectos das actividades humanas, apontando para uma reflexão integrada entre natureza e cultura que ajudará a pensar o que hoje se pode entender por «natureza humana», confrontada com alguns desafios da época global em que vivemos.

Marina Lencastre
Janeiro 2008

Concepção: Marina Lencastre

Orientação:  Marina Lencastre, Fernando Barbosa e Paulo F. Marques”

http://www.serralves.pt/actividades/detalhes.php?id=1283

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Saturday, February 16, 2008

Sábado à tarde

Palma Nova, 2007    Adelina Silva

Acabei de chegar de um passeio de bicicleta.  A meio do caminho desci do selim, sentei-me no muro e pus-me a observar o mar… Senti que alguém me tocava no ombro. Olhei e entregaram-me um pequeno jornal de distribuição gratuita. Rapidamente passei os olhos pelo papel. Várias coisas me chamaram à atenção. As fotografias a cores… uma frase do Goethe… e o horóscopo da semana. Vejamos: as fotografias eram muito engraçadas… a frase do Goethe parecia que tinha sido escolhida precisamente para mim neste momento em particular: “Quando não se sabe para onde se vai, nunca se vai para muito longe”… e finalmente o horóscopo da semana (a que nunca dou importância, mas que desta vez resolvi ler):” Amor – o pessimismo e a falta de confiança não favorecem a realização pessoal; Saúde – Descanse o máximo que puder. Se tiver oportunidade faça massagens; Dinheiro – Coloque em marcha um projecto muito importante para a sua carreira”. Nem mais…

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De novo Fonollosa

Si me dieran más tiempo con mi cuerpo,
con el otro, el antiguo, el que era mío,
iría apresurado a recoger
todo aquello que me correspondía.

Lo que debía ser mío estos años
en que el lino elabora su blancura
y el hombre se elabora de sus sueños.
Lo que sentía mío aun siendo de otros.

No puedo dirigirme ya a la cita
donde esperan mis grandes ambiciones
que las vaya a abrazar. Ya no es posible
decirles: -«Aquí estoy». Con este extraño.

No reconocerían quién soy yo.
Si me dieran más tiempo con mi cuerpo…
Si mi cuerpo, el de ayer, me devolvieran
todo cuanto yo ansío él me traería.

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Thursday, February 14, 2008

Dia dos Namorados

Confesso que nunca dei grande importância a datas e comemorações. O Dia dos Namorados é um deles. Não me diz nada. Não costumo esperar por um dia em particular para dar uma atenção “especial” a alguém, seja ele o meu namorado. Contudo, acabamos por nos sentir reféns desta turbulência.
Vim a ouvir a canção do Pedro Abrunhosa e dei comigo a cantar:
….
E eu e tu
Perdidos e sós
Amantes distantes
Que nunca caiam as pontes entre nós.


Sabe quem me conhece que para mim as relações interpessoais, a confiança, a lealdade, a franqueza… são essenciais na minha vida. Eu sou uma eterna namorada… da vida.
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Wednesday, February 6, 2008

Sonhos e Fantasmas

Mais uma vez, a noite tinha custado a passar. O sono teimava em não aparecer… e, por fim, quando cedeu ao cansaço físico, começou a sonhar. Pela primeira vez em muito tempo tinha acordado lembrando-se, com pormenores, do seu sonho. Os velhos fantasmas, de há uns trinta anos, tinham regressado. A visão de quem a tinha desiludido na altura, e que agora a tinha voltado a fazer passar pela mesma sensação, tinha voltado. Permaneceu na penumbra de olhos fechados como que tentanto afugentar e alterar o curso dessa história. Tentou convencer-se de que tudo não passava de um sonho, de um pesadelo… Mas, não…
Levantou-se. Pôs a água da banheira a correr, como que para limpar as imagens que a comprimiam. Encheu a banheira. Fechou as persianas. Apanhou as luzes. Enfiou-se nas águas quentes e perfumadas. E, assim, na escuridão forçada da manhã, permaneceu por algum tempo. De olhos fechados… de mente acordada… de vivências há muito adormecidas. Perdeu a noção do tempo. Teria sido há trinta anos? Teria sido há seis meses?  Teria sido a mesma pessoa? Será que as pessoas não se modificam? Será que ela continuava a mesma? Porque será que as pessoas não pensam nas outras? Será que as pessoas estão tão insensíveis que devassam, destroem e vandalizam o outro, como um bulldozer, sem sequer olhar para os estragos…
Que vida esta… Que moral podre…
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Monday, February 4, 2008

Mascarar ou Desmascarar, eis a questão…

Estamos no Carnaval… a época das mascaradas, mascarilhas, máscaras, disfarces, … Ou talvez, não.
É no Carnaval que as pessoas aproveitam para assumir as suas fantasias, sejam lá elas quais forem…
É no Carnaval que as pessoas aproveitam para finalmente mostrarem aos outros, ainda que por vezes de forma velada, aquilo que realmente (não) são.
Sabe quem me conhece, que não gosto de situações ambíguas, nem de meias palavras, nem de leitura nas entrelinhas. Também não aprecio as mascaradas do Carnaval… as sátiras de mau gosto… porque é Carnaval, ninguém leva a mal, dizem. Mas eu discordo totalmente.
Pois eu levo a mal não me dizerem o que devem nos restantes dias do ano… é sinal de cobardia. Não gosto de cobardes…
Por isso pergunto… o Carnaval é altura de colocar a máscara ou de retirar as máscaras utilizadas nos restantes 364 dias do ano?
Sambar, nas ruas deste Portugal invernoso e friurento? A quem querem enganar e vender o calor do Brasil? Quererão, por um acaso, fazer deste pequeno Portugal o gigante Brasil? Haja bom senso… mas isto não fica por aqui… há o dia das Bruxas, o Dia nos Namorados,… Daqui a pouco, talvez, quem sabe, o Dia de St. Patrick… e lá andaremos todos de verde! Ainda não se lembraram!
Chiu… é bom que nem se lembrem!
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