As adversidades da vida
Há acontecimentos que nos marcam e que, de certo modo, condicionam a nossa visão do mundo e do que(m) nos rodeia. Falo disto a propósito do falecimento do meu tio, irmão da minha mãe. Nos últimos tempos, a minha mãe passava todas as tardes na companhia do seu irmão, 14 meses mais velho do que ela. Acompanhei o seu sofrimento e a sua dor. Fui a sua ouvinte… escutei-a.
No dia do funeral do meu tio (ontem) encontrei pessoas que já não via há anos. Parece ridículo! Cumprimentámo-nos, falamos das nossas vidas e dos tempos passados.
Para além de toda a emoção que uma altura como esta alberga, ontem, comovi-me por outros motivos. Há uns tempos escrevi aqui sobre um grito de uma mãe que tinha visto o seu filho acidentado, à minha porta. Ontem, encontrei-o. Não o conhecia… não era o mesmo. Contudo, perguntou a alguém quem tinha sido a pessoa que tinha chamado o INEM naquele dia. E alguém disse que tinha sido eu. Veio ter comigo e agradeceu-me. Imaginem… agradeceu-me… como se fosse necessário. Eu fiquei sem palavras. Sem saber o que dizer. Abracei-o.
E eu, que normalmente sou forte, de repente senti os olhos cheios de lágrimas.



