Monday, March 31, 2008

“You can have both: Roots and Wings”

Mal chegou a casa, beijou-a, e de rajada comunicou: “Em Maio vou aos Estados Unidos. Tenho de ir a Nova Iorque, a um laboratório, e a Chicago, a um congresso. Tu vens comigo, claro”.
Ela olhou-o, atónita com o que acabara de ouvir… Detestava que lhe apresentassem as coisas como algo confirmado. Antevia as dificuldades de gerir os compromissos pessoais e profissionais.
“- OK, - respondeu - durante quanto tempo? Bem sabes que está completamente fora de questão ir contigo! Temos é de pensar como resolver outras questões de ordem prática, porque eu também tenho uma vida profissional e ambos temos dois filhos.”
Olhou-a durante algum tempo, como que pensando no que dizer… Também ele sabia que aquele tempo que estaria fora seria de difícil gestão. Não encontrou palavras. E ela continuou:
“- Jamais que te pedi ou te impedi de fazer o que quer que seja. Mas terás de começar a pensar que não estás sozinho e que as decisões que tomas poderão afectar os que te rodeiam.”

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Sunday, March 23, 2008

I had a dream!

Hoje, sonhei! Lembro-me claramente do quê e com quem. Há já muito tempo que não sonhava ou, pelo menos, não me lembrava do sonho.
Hoje foi diferente. Sonhei que tinha encontrado uma pessoa, que não vejo nem falo há meses, por decisão (quiçá cobarde) da própria, sem uma explicação. Sonhei que a tinha encontrado algures, que ma tinham apresentado, e a quem eu cumprimentei muito formalmente com um aperto de mão, como geralmente faço, a quem desconheço. Sonhei que esta atitude a surpreendeu e, assim que pôde, aproximou-se de mim e olhando-me nos olhos, pediu explicações. Sonhei que lhe respondi que quem ali teria de dar explicações não seria certamente eu. Concordou e pegando-me na mão, finalmente, contou-me a sua versão do que se teria passado.
Bom, o sonho continuou… mas a minha posição não se alterou: um idiota será sempre um idiota enquanto não se assumir como Homem; um Homem será sempre um adolescente, enquanto não crescer.
Os olhos nos olhos (o olhar o Outro de frente) e o toque das mãos (sem receio do Outro) para mim são sinais de franqueza e honestidade… Acordei do sonho… sim, não passava de um sonho.
Levantei-me e dirigi-me para a cozinha. Liguei a rádio e, por coincidência (mais uma), passava uma música que eu gosto bastante e cuja letra parecia fazer parte do sonho: “I got you babe”, versão UB40 & Chrissie Hynde:

(…)
I got flowers in the spring
I got you to wear my ring.
And when I’m sad you’re a clown
and when I get scared you’re always around.
So let them say your hair’s too long
I don’t care with you I can’t go wrong.
Then put your little hand in mine
There ain’t no hill or mountain we can’t climb.
Babe
I got you babe. I got you babe. I got you babe !
I’ve got you to hold my hand - I’ve got you to understand.
I’ve got you to walk with me - I’ve got you to talk with me.
I got you to kiss good night - I got you to hold me tight.
I got you and I won’t let go . I got you to love me so !
(…)

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Thursday, March 20, 2008

On? Presente Off? Presente

Diz o Fernando que, nos meus (poucos) momentos livres, ou estou a blogar ou a chatear. Eu acrescento, levando a coisa para a brincadeira, ou a passear, ou à beira-mar, ou a ler um livro… Em parte, tem razão: de facto, o portátil está (quase) sempre ligado e, consequentemente, o Messenger ou o Skype (que se iniciam automaticamente).

Da última vez que voltou a falar sobre o assunto, pus-me a reflectir sobre os comportamentos dos que frequentam o msn ou o skype:

·         Há os que estão on-line sempre, mas nem sempre disponíveis para falar;

·         Há os que colocam a indicação de que estão ausentes, podendo não estar;

·         Há os que estão sempre (ou temporariamente) ocupados, colocando o respectivo sinal, sendo ou não verdade;

·         Há os que estão constantemente a entrar e a sair;

·         Há os que bloqueiam outros, para não serem contactados por estes;

·         Há os que estão, mas aparecem como off-line (não estão, estando);

·         Há os que (como eu) estão on-line, muitas vezes sem estarem.

Pergunto-me: qual a razão destes comportamentos? Serão exclusivos do ambiente virtual? Serão o prolongamento do mundo real? Serão o espelho da realidade que vivemos?

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Wednesday, March 19, 2008

Mar Sereno

Mar Sereno.

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com areia e com a espuma.
Do mar que cantava só para mim.
 

Sophia Mello Breyner


Póvoa de Varzim, 2008                                          Adelina Silva

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Sunday, March 16, 2008

Feira Medieval na Esc. Sec. Paços de Ferreira

Dia 14 de Março de 2008

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Wednesday, March 12, 2008

A Hora da Estrela

Para você MARZIE!

Marzie me deu a conhecer e a ler Clarice Lispector, no livro “A Hora da Estrela”.
É um livro arrebatador, pela história, pela linguagem, pela rudeza do homem, pela humildade e simplicidade (quase simplória) da mulher submissa.
Tive por vezes de parar para respirar…
Há frases que me tocaram:
“Só então vestia-se de si mesma, passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser”. Pois não é isso que muitas vezes nós fazemos?
“Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia um ganho”.
“Basta descobrir a verdade que ela logo já não é mais: passou o momento. Pergunto: o que é? Resposta: não é.”
E ainda: “O silêncio é tal que nem o pensamento pensa”.

Que maravilha! Quero mais!

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Sunday, March 9, 2008

Ainda as Pontes…

 

Enviaram-me este video de uma música do Pedro Abrunhosa, “As pontes entre nós”, chamando à atenção para o facto de ter sido uploaded precisamente no dia do meu aniversário (14 de Setembro). Sabe, quem me conhece, que prezo imenso as relações que se estabeleço com as pessoas e que valorizo o Outro como ser único e holístico. Talvez seja por isso que a ponte é para mim uma metáfora da própria vida. As pontes constroem-se, mantêm-se e, por vezes,  sem aviso, desmoronam-se. Depois de ruir, e ainda que se tente reconstruir, muito dificilmente a ponte será alguma vez como antes.

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Wednesday, March 5, 2008

Amizade

Aos meus amigos

A Ponte

Entre instante e instante
entre eu sou e tu és,
a palavra ponte.

Entras em ti mesma
ao entrar nela:
como um anel
o mundo fecha-se.

De uma margem à outra
há sempre um corpo que se estende,
um arco-íris.

Eu dormirei sob os seus arcos.

Octavio Paz, in Antologia Poética

 

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Tuesday, March 4, 2008

Café com Poesia

Fui tomar um café.
A acompanhar a taça, o açucar e a colher, reparei num pequeno papel sobre o pires. Estava enrolado e fechado com uma fita de cetim.
Tirei o laço da fita, desenrolei o papel e …. Era um poema. Tinha-me calhado em sorte (tal como nos bolinhos chineses) um poema de
 
Eugénio de Andrade

Os teus olhos férteis de promessas
vão-se, e a noite fica fechada.
Cantar para que me serve? Que palavra
abre a noite à mais pura madrugada?

Nada como começar um dia com um poema…

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Saturday, March 1, 2008

Contadora de histórias

“O meu corpo, se bem que leve, é um peso que arrasto sem forças para tanto, um peso que me dói, além de me pesar e de me coagir a arrastá-lo. Desejaria não o sentir, como não sinto o ar que respiro, embora esteja envolvida nele e com ele. Queria deslocar o corpo sem esforço, tal como desloco fluidos, cheiros, poeira, quando caminho de qualquer lado para qualquer lado. Queria disponibilizar o corpo, guardá-lo bem fechado numa gaveta secreta e, quando precisasse, ia lá buscá-lo, trazia-o comigo e dizia-lhe: agora quero sentir-te, mostra-me lá como é , dá-me apetites e desejos que eu possa facilmente satisfazer, dá um prazer à alma que te habita, mas não te excedas. Eu desejaria enrolar-me no meu corpo, como se eu fosse seda e ele puro espírito.”

Fernanda Botelho

in “As Contadoras de Histórias”, Presença, 1998

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