Friday, September 19, 2008
Thursday, September 18, 2008
La Asturiana
Oviedo, Astúrias.
Cheguei, ontem, depois de uma longa viagem… Já passava da meia-noite (hora local) e nem parecia que era um dia de semana… Uma multidao povoava as ruas do centro da cidade. Comentei com o meu companheiro, em tom irónico, que parecia que estavamos na cidade do Porto. Tal e qual!
Eu gosto de Oviedo. Já cá tinha estado há 16 anos atrás (em trabalho) precisamente em Setembro, regressei há 8 anos para acompanhar o meu marido numa visita à Universidade de Oviedo, e hoje cá estou, outra vez.
A cidade mudou muito pouco (ainda bem!). O ritmo de vida é bem diferente do meu…
Gosto de observar as pessoas, os seus hábitos, a arquitectura da cidade, de passear nos seus jardins e parques (que abundam por aqui) e, finalmente, sentar-me numa cidraria degustando o líquido.
Chega de passeio… toca a trabalhar! Estou aqui para isso!
Wednesday, September 17, 2008
Somewhere over the rainbow
A-Ver-o-Mar, 2008 Adelina Silva
Tuesday, September 16, 2008
Acordar
- Mãe, que roupa visto?
Abriu os olhos, meio ensonada… O pensamento não acompanhava o corpo…
-Ainda ontem te coloquei a roupa…
Levantou-se, muito demoradamente, enquanto uma perna pedia licença à outra para sair da cama.
Já na cozinha, onde começou a pôr a mesa para o pequeno almoço, começou o alvoroço.
Os filhos falavam incessantemente… ela ansiava por mais uns minutos de silêncio. Parecia impossível como tinham tanto assunto para falar… e as horas a passar… e ela a desatinar!
Foi finalmente quando sairam que ela pôde respirar de alívio… o silêncio imperava na casa. Finalmente, o pensamento acompanhava o corpo.
Monday, September 15, 2008
Estou mais velha, pelo menos a confiar no BI.
Pois, completei, ontem, 42 anos! Hmmm, 42! Correcto e afirmativo!
Vi-me obrigada a desligar o telemóvel… raios! Já não bastava ter de receber telefonemas (muito benvindos) de parabéns, como ainda por cima, para tratar de assuntos relacionados com escola (planificações, programas, etc). C’um diabo! Não sabem as pessoas que não se “aborrece” ninguém a um domingo para falar de questões de trabalho? Não sabem as pessoas que têm de ser elas a fazer o que é suposto que façam (preparar as aulas, por exemplo) e não estar à espera que uma alma caridosa (e parva) o faça? Dizem-me que estou mais contestatária! Se estou deve de ser da idade! Agora compactuar com laxismo? Estou farta!!! Não quero mais!!!
Portanto, bottom line: I was bored as hell!
Saturday, September 13, 2008
All alone
Não estou sozinha… estarei mal acompanhada?
Estou acompanhada, mas sinto-me sozinha.
Estou sozinha, acompanhada do meu silêncio.
Estou acompanhada dos meus pensamentos.
Os pensamentos são uma multidão.
Os meus pensamentos não são uma boa companhia.
Quero estar sozinha!
Monday, September 8, 2008
Assim seja…
É noite! O dia continua…
As palavras não são suficientes para te dizer o que quero…
Parece que te deveria ter dito algo mais…
Parece que falei demais…
Parece que não disse tudo…
Parece que disse o que não deveria ter dito…
Será que querias ouvir o que disse?
Será que escutaste as palavras?
Será que escutaste os silêncios?
O teu silêncio é assustador…
De que tens medo?
As tuas palavras feriram-me…
O teu silêncio afastou-me…
Que procuravas?
O que encontraste?
Do que fugias?
Para onde querias ir?
Tinhamo-nos e perdemo-nos…
Assim se cumpriu o teu desejo…
Assim se cumpriu a tua palavra…
Saturday, September 6, 2008
Quem sou eu?
Y de pronto una voz, mirada, un gesto
tropieza con mi idea de mí mismo
y veo aparecer en el espejo
a un ser inesperado, insospechado,
que me mira con ojos que son míos.
Ese desconocido que soy yo.
Ese al que los demás se dirigían
al dirigirse a mí, sin yo saberlo.
Ese irreconocible ser inmóvil
que inspecciona mis rasgos hoscamente.
En vano apremio al otro, el verdadero,
a aquel que unos segundos antes yo era.
Sólo está frente a mí, con ceño adusto,
ese desconocido inesperado
que me mira con ojos que son míos.
J.M. Fonollosa, in “Destrucción de la mañana”
Friday, September 5, 2008
Insomnia
- Ainda demoras muito a ir para a cama? - perguntou ela.
Ele respondeu: - Não, não… estou quase a acabar.
- Então aguardo. Não tenho sono.
Dirigiu-se para o sofá. Deitou-se, aconchegou-se, enroscou-se, colocando-se em posição fetal. A chuva batia nas persianas, o vento assobiava. Concentrou-se nesses sons. Passaram-lhe muitas imagens pela cabeça. Sentiu um calor a percorrer-lhe o corpo. Adormeceu.
Todos na casa sabiam que, devido às insónias que tinha frequentemente, quando adormecia em caso algum a deveriam acordar. Ele assim fez. Chamou pelo seu nome, mas não obteve resposta. Deixou apenas uma luz acesa e saiu da sala.
Acordou. Abriu os olhos. A sala estava em silêncio apenas com uma luz acesa. Olhou para o relógio - eram 4:38h. Sentiu que tinha dormido uma eternidade. O corpo não estava dorido. Espreguiçou-se. Levantou-se e dirigiu-se para o quarto. Deitou-se em silêncio. Sentiu uns braços que a abraçavam enquanto lhe sussuravam ao ouvido: Estava à tua espera.
Com os corpos entrelaçados, adormeceram.
Oviedo, 2008 Adelina Silva
Oviedo, 2008 Adelina Silva